
Áreas antes ocupadas por pastagens de baixa produtividade estão sendo convertidas em sistemas agroflorestais que combinam cacau, açaí, banana e espécies florestais no sul da Bahia. O movimento é impulsionado pelo AgroCIC, iniciativa do Centro de Inovação do Cacau (CIC), unidade operacional do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul). A organização já investiu mais de R$ 1,6 milhão na implantação desses sistemas em 50 hectares e ultrapassou a marca de 100 mil mudas plantadas na região.
Desenvolvido em parceria com produtores rurais, o projeto promove a recuperação de áreas degradadas ao mesmo tempo em que fortalece a cadeia produtiva do cacau. O CIC é responsável pelo planejamento técnico, levantamento das características da propriedade, implantação do sistema agroflorestal e fornecimento dos insumos necessários para a fase inicial do cultivo, respondendo por cerca de metade dos custos de implantação. Aos produtores, cabe disponibilizar a mão de obra e conduzir a área após a implantação, com acompanhamento técnico permanente da equipe do projeto.
A proposta é ampliar a produtividade das propriedades e diversificar as fontes de renda no campo. Além do cacau, culturas como açaí e banana geram receita em diferentes fases do sistema produtivo, reduzindo a dependência de uma única atividade e ampliando a segurança econômica das propriedades.
Segundo o coordenador do AgroCIC, Antonio Rocha, a iniciativa busca ampliar o acesso dos produtores a tecnologias capazes de elevar a produtividade e tornar os sistemas mais eficientes.
"Nosso objetivo é criar condições para que o produtor alcance alta produtividade e maior rentabilidade utilizando tecnologias adaptadas à realidade da propriedade. O AgroCIC reduz o investimento inicial necessário e oferece suporte técnico durante toda a implantação, facilitando a adoção dos sistemas agroflorestais", afirma.
AgroCIC na prática
Depois de trocar o turismo pela atividade rural no município de Una, sul da Bahia, o produtor Lucas Nunes conheceu o AgroCIC em 2025, durante a Expo Cacau. Ele conta que encontrou no sistema agroflorestal uma forma de reunir rentabilidade, diversificação e agregação de valor à produção.
"Quando conheci o projeto, percebi que era possível produzir de forma sustentável e construir um negócio economicamente viável. Além da renda com o açaí, a banana e o cacau, pretendo agregar valor às amêndoas com produtos como nibs e mel de cacau, aumentando o retorno da propriedade", afirma.
A área de implementação do projeto envolve 1 hectare de sua propriedade, além de outros 3 hectares pertencentes a uma tia. "Meu objetivo é atingir uma produção de 400 arrobas de cacau, sem considerar as outras culturas. Quero aumentar a minha renda anual em, pelo menos, 20%", completa o agricultor.
Também em Una, o produtor Fausto Pinheiro transformou uma área de pecuária que já não gerava renda em um sistema agroflorestal diversificado. Para ele, a combinação de mecanização, material genético de qualidade e diferentes culturas amplia o potencial produtivo da propriedade e demonstra que conservação ambiental e rentabilidade podem caminhar juntas.
Além de Una, o AgroCIC já foi implementado também nos municípios de Buerarema, Camacã, Coaraci e Ilhéus. A meta do projeto para os próximos cinco anos é ampliar sua atuação e implantar sistemas agroflorestais em até 5 mil hectares, fortalecendo a cadeia produtiva do cacau e ampliando a recuperação de áreas degradadas no sul da Bahia.
Confira o vídeo documental sobre o projeto:
Sobre o Centro de Inovação do Cacau
Instalado no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, o Centro de Inovação do Cacau integra o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e se consolidou nos últimos anos como um dos principais polos de pesquisa, análise laboratorial e formação técnica da cadeia cacaueira brasileira. Em um mercado que remunera melhor a consistência, a rastreabilidade e a diferenciação, iniciativas de qualificação ocupam um papel estratégico.
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