O Centro de Inovação do Cacau lançou sua nova plataforma de cursos, ampliando o acesso à formação técnica em uma das cadeias mais estratégicas do sul da Bahia. A iniciativa organiza uma agenda que percorre diferentes etapas da produção de cacau e chocolate, integrando teoria aplicada, práticas em laboratório e vivências de campo.
A proposta é formar profissionais capazes de tratar o cacau como um produto de origem, cujo valor depende de decisões tomadas ao longo de toda a cadeia — do manejo à transformação em chocolate. “O foco principal é a qualidade e a valorização da origem Brasil. Nosso diferencial está em oferecer cursos aprofundados sobre a origem brasileira, uma região complexa que hoje conquista reconhecimento e consolidação no mercado de alta qualidade”, afirma Adriana Reis, gerente de Educação e Inteligência do CIC.
O movimento acompanha uma mudança clara no consumo. Produtos padronizados perdem espaço para chocolates com identidade, rastreabilidade e perfil sensorial definido. Nesse contexto, o modelo bean to bar — do grão à barra — ganhou protagonismo ao evidenciar a relação entre matéria-prima, processo e resultado final.
Entrar nesse segmento exige domínio técnico. Seleção de amêndoas, torra, moagem, conchagem e temperagem não são etapas intercambiáveis — cada escolha impacta aroma, textura, sabor e estabilidade do produto.
A nova programação reúne conteúdos que vão da produção de chocolate à análise sensorial, passando por operação de máquinas, formação de preço, classificação física, legislação, genética e pós-colheita. O desenho atende tanto quem está começando quanto profissionais que buscam qualificação mais consistente e padronização de processos.
As informações sobre cursos, cronograma e inscrições estão disponíveis na plataforma: cursoscic.com

Para o diretor-presidente do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia, Cristiano Villela, a formação tem efeito estrutural sobre o setor. “Mais do que ensinar técnicas, os cursos ajudam a criar uma linguagem comum entre produtores, classificadores, chocolate makers e compradores. Em uma cadeia historicamente marcada pela venda de volume, essa mudança pode ser decisiva para ampliar a presença do Brasil nos segmentos de maior valor agregado do mercado global de cacau e chocolate”, afirma.
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