Um relatório técnico elaborado pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC) traz um retrato consistente da qualidade do cacau produzido em Rondônia e ajuda a posicionar a origem em um segmento cada vez mais orientado por critérios objetivos. A análise reuniu 141 amostras e avaliou parâmetros físico-químicos e sensoriais, identificando um perfil próprio, marcado por acidez cítrica pronunciada, notas de frutas tropicais — sobretudo frutas amarelas —, além de nuances amendoadas e vegetais.
Segundo a gerente de Educação e Inteligência do CIC, Adriana Reis, o conjunto de características aponta para um cacau com identidade definida e potencial de diferenciação.
“É um perfil sensorial complexo, que combina notas frutadas e cítricas com um fundo mais amanteigado, amendoado, e traços vegetais que aparecem como cogumelos, além de nuances florais e de especiarias”, explica.

O resultado é uma amêndoa que entrega diversidade aromática , atributos valorizados por compradores e fabricantes de chocolate de maior valor agregado.
O estudo também registra a evolução dos padrões de qualidade ao longo dos últimos anos, associando esse movimento a um processo contínuo de capacitação técnica, devolutivas aos produtores e maior integração entre campo e mercado. O ganho de qualidade está ligado ao estudo das genéticas de qualidade, a melhorias constantes no pós-colheita, principalmente na fermentação e na secagem — etapas que definem o resultado final do cacau.
Além da análise sensorial, o relatório conecta o desempenho do cacau rondoniense a um esforço mais amplo de organização da cadeia. Iniciativas como rastreabilidade, aplicação de protocolos de sustentabilidade e uso de ferramentas de inteligência de mercado aparecem como fatores que contribuem para dar previsibilidade e credibilidade à produção. Nesse processo, o trabalho articulado entre instituições tem sido determinante, com participação do SEBRAE Rondônia, SENAR, SEAGRI, parceiros locais e o próprio CIC.
Para Marcileide Zirondi, gestora do projeto de indicação geográfica Rondônia Cacau no SEBRAE RO, o laudo técnico cumpre um papel estratégico.

“A ideia é identificar onde avançar, orientar decisões e dar uma base robusta para mostrar ao mercado o que diferencia o nosso cacau. Esse tipo de validação é essencial para sustentar o posicionamento da origem”, afirma.
O documento também aponta próximos passos, como o aprofundamento da padronização no pós-colheita, a ampliação da formação técnica e o fortalecimento da identidade regional como ativo econômico. A consolidação dessa trajetória passa, ainda, por maior presença em mercados especializados — movimento que já começa a aparecer em eventos como o Concurso Nacional de Cacau Especial do Brasil, onde produtores de Rondônia vêm ganhando espaço entre as amêndoas mais bem avaliadas do país.
A percepção de mercado acompanha esse perfil. A chocolate maker Luana Vieira, da Monjolo Chocolates, utiliza cacau de origem de Rondônia em parte de suas barras intensas.
“É um cacau com notas bem amendoadas, um leve terroso e nuances de frutas escuras”, descreve.
Segundo ela, o mesmo cacau também responde bem em formulações ao leite, ao se integrar com facilidade às notas lácteas, ampliando as possibilidades de uso e leitura do perfil aromático.
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